
Por Filipe Fortes
Foi ontem apresentado, no El Corte Inglês, em Lisboa, o livro de culinária de Eunice Menezes, filha de Osvaldo Silva, antiga glória do Sporting. O avançado brasileiro, que fez parte da equipa que venceu a Taça das Taças, em 63/64, procurou sempre manter a ligação com as suas raízes culturais, e sendo a gastronomia um desses pilares, passados de geração em geração na sua família, foi esta a forma encontrada pela sua filha para homenagear a memória do pai.
Em ‘O tempero da Morena’ Eunice Menezes conta mais do que simples receitas, conta histórias da gente do continente africano, como destacou Mário Zambujal, escritor e antigo jornalista. «Este é um livro cheio de personalidade. Não é uma banalidade, é algo diferente. Mais do que receitas, é uma viagem pelos países de que fala. Tem gente dentro: falam de culinária mas são, sobretudo, seres humanos», contou, ele que foi o responsável pela apresentação do mesmo. «Fiquei muito feliz, só me deixa algo vidrado o facto de eu ter sido convidado, sem saber estrelar sequer um ovo», disse por entre gargalhadas.
Para a autora, tratou-se de um dia muito feliz. «Estou radiante. Escrever este livro foi um prazer. A cozinha sempre foi uma paixão, e é também uma forma de dar continuidade à cultura da minha família», salientou, recordando alguns dos gostos particulares do pai, Osvaldo Silva.
«Era um homem que adorava arroz. Qualquer refeição tinha de ter arroz, mesmo que tivesse outros acompanhamentos. Adaptou-se à comida europeia, mas sem nunca esquecer as suas raízes. Não comia muito, não era um homem de feijoadas, mas gostava de ver os outros satisfeitos a comer. Gostava também muito de cozinha francesa, pelo facto de serem porções pequenas, com muito requinte. Se era um grande cozinheiro? Não diria tanto, mas sabia safar-se na cozinha», recordou Eunice Meneses.
Fotos de Álvaro Isidoro/ASF
Artigo retirado de www.bola.pt
